
Hoje eu li um texto tão fantástico sobre arrependimento, que resolvi reproduzir aqui. Segue:
Por: Philio Terzakis
A gente diz: ah, se arrependimento matasse! Certo. Só tem um problema: arrependimento mata. Arrependimento é um sentimento estressante. O stress libera no corpo uma substância chamada cortisol. Com o tempo, o cortisol adoece e mata, sim, senhor.
Além de assassino, o arrependimento é burro. É burro porque garante que a não-realização de um futuro hipotético é culpa nossa. Exemplo: temos uma situação A e queremos uma situação B. Para isso, adotamos um comportamento X. Aí, dá tudo "errado". A situação A se transforma em uma situação C. E nós? Nós ficamos arrependidos.
- Se arrependimento matasse, eu estaria estatelado no chão - a gente diz.Olha que bobagem! Quem garante que A seria B se seu comportamento fosse Y ou Z? Matematicamente falando: se A + X = C não quer dizer que A - X = B. Ou que A + Y = B. Ou que A + Z = B. Menino, A nem existe mais!
Então, onde já se viu chorar por um futuro hipotético? Futuro porque nunca existiu. E, além de inexistente, hipotético, ou seja, incerto. Já dizia a minha avó: quem não sabe o que perdeu não perdeu nunca.
Mas a gente chora. Chora ou não chora? Chora. Eu mesma andei chorando ultimamente. Ah, se arrependimento matasse!... A gente é viciado em culpa.
Quando isso acontece, tento colocar meu mantra em ação: fiz o que pude; faço o que posso; farei o que puder. O resto, infelizmente, está fora das minhas possibilidades. Completamente fora. Até porque pouca coisa depende apenas de mim.
Afinal de contas, quem é que faz merda de propósito? Eu, não! Só se for você! Eu faço o que posso. No máximo, eu erro tentando acertar. No limite, eu sou o que sou, e o resultado não é o desejado. Paciência!
Agora se o erro foi catastrófico, só me resta assumir as conseqüências. E tentar fazer melhor da próxima vez. Porque sempre tem uma próxima vez.
Li, e achei sensacional. Primeiro porque eu tô passando por um momento de indecisões, escolhas, mudanças. O novo chegando (ou seria o velho voltando?), eu me vendo diferente do que sempre fui. Sabe quando você se olha no espelho, se reconhece como aquela que foi há anos atrás, tinha mudado, voltou a ser a mesma e agora tem medo disso? Eu já nem sei mais quem eu quero ser. Procuro saber se sou eu mesma, e penso no que quero da vida. Não sei. Mas isso não me atormeta: a dúvida do arrependimento futuro, sim.
Então eu achei esse texto, li, copiei e acho que todo mundo tem que ler também, e lembrar que 'sempre tem uma próxima vez'. E passa. A gente chora e sofre, porque dói. Mas passa. Um dia, passa. E o arrependimento? Não. Não me arrependo de nada do que fiz, faria tudo de novo, inclusive. Choro, vela, pedido pra voltar, me ame, volta pra mim. Faria tudo de novo. Mas agora não faço mais, porque já fiz. Como diz o texto, 'fiz o que pude; faço o que posso; farei o que puder. O resto, infelizmente, está fora das minhas possibilidades. Completamente fora. Até porque pouca coisa depende apenas de mim.' Não depende mais de mim. O que depende de mim, é a minha felicidade, e é dela que eu tô correndo atrás, mesmo tendo que encarar que sim, ela pode estar longe de onde eu achei que estava um dia...